Relendo as 21 Lições para o Século 21 de Yuval Harari me ocorreu uma reflexão e uma esperança. Harari argumenta que no século XX emergiram três narrativas políticas: o fascismo, o comunismo e o liberalismo. O fascismo sucumbiu após a Segunda Guerra Mundial, mas deixou resquícios que estão sendo incensados por grupos radicais, especialmente na Europa. O comunismo entrou em colapso em diversos países, com exceção da China que instituiu um regime político ditatorial comunista-capitalista que o mundo ainda se esforça para assimilar. Resta o liberalismo, que ganhou a preferência mundial, porém a pretexto de oferecer liberdade à população, líderes liberais estão deformando esta narrativa com a prática de um poder hegemônico, que exclui os menos favorecidos, isola os opositores, rejeita os refugiados e fortalece raças em detrimento de outras, ou seja: tornam-se ditaduras camufladas. Qual então seria a narrativa política ideal para o século XXI?
Estamos vivendo uma era onde o desenvolvimento tecnológico é exponencial e prescinde de ideologias, poderes e políticas. Uma era onde o acelerado envelhecimento da população exige uma revisão no modelo socioeconômico das nações. Uma era onde a inovação ameaça o emprego de milhões de pessoas, que em sua grande maioria, não tem um plano B de sobrevivência. Uma era onde a fome e a falta de saneamento mata muita gente e as epidemias pipocam aqui e ali gerando pânico em países e mercados. Uma era onde as religiões estão em conflito e ainda não despertaram para a necessidade de uma reinvenção. Uma era onde a natureza segue desrespeitada e o clima segue imprevisível, por razões que todos sabemos mas que muitos insistem em não aceitar. Uma era onde o poder e o capital estão concentrados nas mãos de poucos, enquanto a maioria é submetida a toda sorte de controle e escassez. Uma era que onde o conhecimento nunca esteve tão acessível, a ponto de nos permitir identificar todos erros que cometemos e como conserta-los. Por tudo isso, fica minha esperança de que a próxima narrativa política seja contaminada pela necessidade de priorizarmos os seres humanos, pois é a nossa existência na Terra que faz esse minúsculo grão de areia perdido no Cosmos ser tão especial. Quem sabe um dia a gente desperta para isso. Fico na torcida, fazendo a minha parte. E vocês?
