Envelhecimento ativo

10 de junho de 2020 | Novidades

Há poucos anos atrás, falar em envelhecimento ativo poderia ser confundido com uma heresia, pois a expectativa de vida era inferior a 50 anos, idade que marcava a transição de um trabalhador rumo a aposentadoria e a passividade. Hoje, quando a expectativa de vida do brasileiro já se aproxima dos 78 anos e a longevidade torna-se uma realidade tangível, o envelhecimento ativo é não apenas uma opção, mas também e principalmente uma necessidade. Se vamos viver mais, precisamos viver melhor e isso implica em mais saúde, mais emprego, mais renda, mais qualidade de vida, mais educação, mais um monte de coisas que ainda não sabemos, pois vivemos numa era onde as mudanças e transformações ocorrem de forma exponencial. Essa realidade irá sofrer alterações em breve em razão da Reforma da Previdência que está em discussão no Congresso Nacional que, entre outras mudanças, irá ampliar a idade da aposentadoria dos brasileiros. Por conta de todos esses fatores, é que precisamos encarar o envelhecimento de forma proativa. E foi o que aconteceu no dia 16 de maio do ano passado, quando pesquisadores, profissionais e estudantes ligados a temática da longevidade, reuniram-se no auditório István Jancsó da biblioteca Guita e José Mindlin na USP, em São Paulo, para o III Simpósio Rumo ao Envelhecimento Ativo. Um evento organizado e promovido pela Universidade de São Paulo desde 2015.

O evento explorou e discutiu temas fundamentais para o entendimento de todos os aspectos que envolvem direta e indiretamente o envelhecimento. O conteúdo das palestras estava sintonizado com os quatro pilares centrais que impactam na longevidade: saúde, segurança, participação e aprendizado continuado. Premissas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, quando lançou o alerta “Envelhecer bem deve ser prioridade global”, ao constatar que a elevação da população 60+ constitui-se num dos principais desafios que as nações têm pela frente no século 21.

No Brasil, a população sênior cresceu 18% em cinco anos, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44%). Outro estudo, realizado pela Fundação SEADE, aponta que no estado de São Paulo os 60+ já correspondem 14,8% dos 44 milhões de habitantes. As estimativas atuais já elevaram a população 60+ do país para 31 milhões e a do estado de São Paulo, para 7 milhões.

De acordo com o Prof. Dr. Egídio Lima Dórea, coordenador do Programa de Envelhecimento Ativo da USP, estamos vivendo uma revolução da longevidade que é fundamentada pelo aumento significativo da população idosa mundial e também pela ruptura de vários paradigmas a respeito do idoso e do seu papel na sociedade. O conceito criado pela OMS mostra a importância do curso de vida e amplia os aspectos necessários para um envelhecimento bem-sucedido, deixando de focar somente no quesito ausência de doença. “É de fundamental importância que seja criada uma cultura de saúde e bem-estar na maturidade, que inclua, pelos brasileiros, a adoção de hábitos mais saudáveis e atitudes preventivas para que se possa chegar a idades mais avançadas em boas condições física, mental, psicológica e espiritual”, destaca o professor. Concordo e acrescento que para atingirmos tais objetivos, é preciso promover a inclusão digital e social de milhões de brasileiros, desconectados e desinformados sobre questões básicas como direitos, políticas públicas, a responsabilidade da família, das empresas e da sociedade civil neste processo, bem como sobre os impactos que a ciência e a tecnologia irão exercer em suas vidas.

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