A pandemia não acabou, a vacina não chegou, as atividades econômicas ainda não voltaram ao normal e o comércio abre suas portas homeopaticamente, exigindo de todos proteção pessoal e distanciamento seguro. Governos começam a flexibilizar as medidas de isolamento com muito cuidado, porque sabem que atrás de uma onda vem uma outra e depois outra.
A par do alto preço que o mundo está pagando pelas mortes causadas pelo Covid-19, nestes últimos três meses testemunhamos o nascimento de um comportamento totalmente novo nas pessoas, nas empresas e na própria sociedade. Se pudesse resumir numa palavra, diria que o mundo acordou para a SOLIDARIEDADE. Pessoas doando seu tempo, suas roupas e alimentos para ajudar necessitados; empresas doando recursos para minimizar os impactos da pandemia. Enfim, parece que uma boa parte das pessoas começa a perceber e aceitar a existência do outro e que a vulnerabilidade pessoal ou social não é um problema intransponível. É gente como a gente que merece ser percebida como tal.
Entre as novidades que emergiram nesse período, uma me chamou atenção: o World Hope Forum, que nasceu em contraponto ao World Economic Forum. Um Forum que pretende discutir não apenas os impactos das mudanças climáticas, mas também uma nova relação de consumo, bem como a elaboração de estratégias para inclusão de milhões de pessoas necessitadas, que tentam sobreviver à duras penas, especialmente nos países em desenvolvimento.
A iniciativa é da designer holandesa Lidewij (Li) Edelkoort, uma especialista em tendências. Ela é autora de vários livros, entre eles “The General Trend Book”.
“No final desta pandemia, assim como acontece depois de uma guerra, apenas os prédios permanecerão de pé. Tudo o mais vai mudar. A Economia da Esperança tem potencial para transformar a sociedade de dentro para fora”.
Li Edelkoort é a versão européia da americana Faith Popcorn, que lidera uma consultoria famosa por suas previsões sobre os hábitos de consumo, o Brain Reserve.
Para o lançamento do Forum, ela lançou um manifesto, que tem premissas muito inspiradoras: colocar as pessoas em primeiro lugar e não o lucro; o essencial é o melhor caminho a seguir; cuidar do planeta e das pessoas que vivem nele.
No texto original de abertura do manifesto ela afirma:
“Under siege from the Covid-19 virus, many people have come to understand that they should change their behaviour patterns, no longer travelling too much, producing too much, consuming too much or using up too many resources. The comfort of being at and working from home, wasting time instead of money, has led people away from their addiction to material things and into a realm of sharing, caring and making. Making food, making music, making love and making clothes and crafts have become the centre of life; learning the improvisation skills that ignite a more creative culture. Most people don’t want to go back to the same old society, and long to change their lives forever”.
Iniciativas como esta, que colocam o ser humano no centro das atenções, merecem o nosso aplauso. Porém, antes de mais nada, é preciso estimular o engajamento amplo, total e irrestrito da sociedade. Só assim será possível construir uma via sólida e sustentável para que a SOLIDARIEDADE se torne um ativo tangível no futuro. De minha parte, já estou vivendo no estágio inicial, quando optei por simplificar e reduzir a burocracia da vida, numa ação que batizei de Viver Portátil (publiquei alguns textos sobre o conceito no Linkedin). Agora, vamos ficar ligados no que vem por aí, para que o novo normal, seja de fato um novo normal que veio para o bem de todos.
P.S. A experiência faz a diferença: Li Edelkoort tem 69 anos e Faith Popcorn, 73.
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