Sem dúvida a pandemia está causando danos de diversas ordens: pessoal, familiar, social, profissional, empresarial, econômico, político e na saúde pública, entre outros. A volta à normalidade é incerta, assim como a retomada da economia. No momento, não há futurólogo e nem bola de cristal capaz de prever como e quando isso irá ocorrer.
No geral, há expectativas de que novas tendências irão emergir, como home-office e a humanização das organizações, entre outras mudanças, mas prefiro deixar essas opções no campo das hipóteses por enquanto. É inegável que o desemprego é – e será – uma das graves consequências da pandemia e afetará a todos indistintamente.
O desafio da geração de emprego e renda
Eu me preocupo mesmo é com os idosos, que são grupo de risco antes, durante e depois da pandemia. Caindo na real, não haverá emprego para todos, certo? A elevação da expectativa de vida, a longevidade, exige que a sociedade, as empresas e os governos façam uma revisão na necessidade de inserção dos idosos em atividades produtivas. No Brasil, milhões de idosos sustentam suas famílias com o dinheiro da aposentadoria e outros tantos ainda trabalham. O aposentado é o único brasileiro que tem renda compulsória. Não por acaso, se a filha casa, engravida e se separa, volta a morar com o pai. Se o filho perde o emprego, idem. 65% dos aposentados brasileiros ganham um salário mínimo, ou seja: precisam gerar uma renda extra. O único caminho que vejo para a geração de emprego e renda, pelo menos para uma parcela mais qualificada desta população, é o empreendedorismo, já que a maioria deles têm competências não aproveitadas ou adormecidas. A Dona Maria, que faz doces para festinhas de aniversário ou Seu Fernando, que é engenheiro aposentado e tem um projeto de app para pagamento de contas em dia, poderiam amplificar seus negócios se houvesse apoio, orientação e recursos acessíveis. É verdade que já existem instituições como o SEBRAE que ajudam nesse processo, mas falta um componente importante: o acesso ao capital a juros compatíveis.
Na trilha do estímulo ao empreendedorismo sênior, vale lembrar que a convivência inter-geracional, especialmente na era tecnológica, pode produzir um diferencial importante na geração de inovações e negócios. Existem diversos exemplos bem sucedidos nesse campo. Todos saem ganhando. E para confirmar a minha tese basta lembrar que muitas empresas inovadoras, que foram concebidas por jovens visionários, têm hoje executivos mais velhos no comando.
Empréstimo Consignado para Empreendedor Sênior
Aplaudo todas as iniciativas que estimulam o empreendedorismo sênior. E faço uma sugestão às instituições financeiras: pensem na criação de um Empréstimo Consignado para o Empreendedor Sênior, onde a garantia estaria no negócio e não no salário ou na aposentadoria que, via de regra, é modesta. Entendo que trata-se de um mecanismo que exige legislação específica, entre outros componentes, mas como vivemos um período atípico, onde o social tem impactado nas decisões mais do que o monetário, quem sabe os especialistas ou os governos encontrem uma solução para um problema que não é novo.
Na torcida.
