Sempre ouvi essa história de que o universo conspira a favor da gente. Acho que estou nesse time, pois não me lembro de ter prejudicado ninguém. Porém, ainda estou em dúvida se esse tal universo conspira mesmo…
Desde minha primeira empresa, a Redonda e Quadrada, até a Umana Media House, que é minha empresa atual, passaram-se quase 50 anos. Nesse tempo, passei por alguns empregos e criei dezenas de outras empresas em diversas áreas. Criatividade sempre foi meu principal ativo e ainda é, eu acho.
Ganhei dinheiro, perdi dinheiro, mas aprendi algumas lições.
1. Ninguém vence – ou perde – sozinho. Compartilhar tarefas e decisões e ter um bom time ao seu lado são fundamentais. Se você descuidar, dança.
2. Saber ouvir é fundamental. Críticas vem e vão. É preciso saber lidar com elas, pois não existe verdade absoluta.
3. Respeitar as pessoas é respeitar a si mesmo. Administrar pessoas implica em administrar emoções e, nesse campo, é preciso levar em conta que seres humanos são imperfeitos e que nem todas as respostas estão no manual.
4. Não espere reconhecimento ou reciprocidade, pois há o sério risco de se decepcionar com pessoas que você gosta ou respeita.
5. Quando você está por cima, o ego fala mais alto e muitos “amigos” se aproximam. Cuidado: nem o ego expandido e nem os amigos de última hora vão te ajudar a crescer de verdade.
6. Distribua responsabilidades, mas não abra mão da liderança. O boi sempre engorda na frente do dono. Um descuido pode ser fatal.
7. Cuide dos parceiros e sócios que você traz para seu negócio. Nem sempre aliado poderoso quer dizer o melhor aliado, porque as prioridades dele não são iguais às suas.
Tempo e foco.
O tempo passou e hoje tenho uma empresa individual. Construí um amplo network e faço parcerias específicas para tocar cada projeto e está dando certo. Esse modelo já me permitiu conquistar o Prix Jeunesse Iberomericano em 2017, com a série de docs “Trabalhar pra Quem”, sobre os jovens da comunidade de Heliópolis, em São Paulo.
Desde a criação da Umana, em 2005, sempre me empenhei na viabilização de projetos vinculados a causas. É só conferir no nosso site: umana.com.br. Mas o fato é que só uma boa ideia ou intenção não fazem a roda girar. Estamos vivendo num tempo em que a cultura está desvalorizada e as grandes empresas têm um discurso para a mídia e para seus colaboradores que nem sempre confere com seu comportamento real junto ao mercado.
Foco. É o que todos me recomendam. Por isso, atualmente, estou focado na construção de uma plataforma de comunicação que permita à população sênior – leia-se 50+ – compreender mais e melhor o que o futuro lhe reserva. O projeto chama-se ViverAgora, inspirado numa frase do Dalai Lama: “O passado passou e o futuro não chegou. Só podemos dar conta do presente”. Foquei.
Comunicar é preciso.
Acredito que só através do acesso a informação e ao conhecimento é que nós podemos fazer as melhores escolhas para nossas vidas. Aprender é um processo permanente.
Numa era onde as tecnologias se amplificam vertiginosamente, a comunicação se torna fundamental. A expectativa de vida se amplia, a longevidade é uma realidade, mas ambas dependem das escolhas que fazemos, individual e coletivamente. Existem lugares no mundo, onde as pessoas vivem muito tempo e o que elas têm em comum é a qualidade vida. São as Blue Zones. Mas existe o resto do mundo, onde as pessoas não sabem quanto tempo irão viver, pois as adversidades impõem restrições à perspectiva de vida. E existe uma outra realidade, futurista, impactada pelas inovações, que vão exigir de todos nós uma revisão nos conceitos tradicionais de vida e de tempo. Portanto, estamos diante de um dilema complexo. Um mundo que envelhece depressa e diferentemente em cada continente, país e localidade. O maior desafio deste século, segundo a Organização Mundial da Saúde. É tudo isso que estou vendo. É sobre tudo isso que eu quero falar e compartilhar. Será que o universo vai conspirar a meu favor?
(Foto: Greg Rakozy on Unsplash)
