“O tempo não para” já alertava a poesia de Cazuza no final dos anos 80. Em 2018, quando completei 66 anos, me dei conta que estava entrando numa nova geração, a geração sênior e, quando você cruza essa linha, deve se encontrar em uma dessas quatro situações: 1- empresário de sucesso, fez fortuna para garantir o sustento de uma ou mais gerações da família; 2- profissional precavido, investiu numa previdência privada para ter a garantia de uma vida confortável até os 90 anos; 3- trabalhou duro por mais de 35 anos, como milhões de brasileiros, e se aposentou com uma renda pífia, que mal cobre a conta da farmácia; 4- fez tudo que teve vontade, mas descuidou de um detalhe: esqueceu do tempo e não poupou o suficiente para garantir a sobrevivência dos próximos 20 ou 30 anos. Esse sou eu: 15 anos como jornalista de TV (Bandeirantes, Globo e Cultura) e outros 30 anos como empreendedor, produtor audiovisual e criador de projetos de comunicação. Em 2018, ganhei o título de Mestre, com a dissertação “Comunicação, Tecnologia e Longevidade”, cujo conteúdo será a base do meu primeiro livro, que tem o título provisório de Viveragora.
Pois é, o tempo não para e eu também não. Primeiro, porque trabalhar em múltiplos projetos, me diverte. Segundo porque ainda não sei qual o Plano B mais viável. Terceiro porque ainda quero construir uma plataforma de negócios de longo prazo, especialmente para incluir os amigos da geração sênior. Eles, assim como eu, têm experiência, competências, mas não têm oportunidades para colocá-las em prática, por isso precisamos criar as oportunidades. Gosto sempre de lembrar que minha geração é privilegiada. Testemunhamos as grandes transformações sociais e tecnológicas dos últimos 70 anos e vamos assistir de cadeira cativa a 4a Revolução Industrial. Somos os sobreviventes de uma era que promete impactar significativamente na relação entre a vida e o tempo e, consequentemente, na dimensão da longevidade.
Numa era onde as mudanças são velozes e exponenciais, não podemos esquecer o fator humano, que é um dos principais ativos da nossa geração. Na Sardenha, uma das regiões que abriga mais longevos do mundo, além da dieta mediterrânea e do DNA, é a socialização que mais contribui para longevidade. Taí um desafio fascinante: como tirar proveito desses dois mundos, para conquistar mais qualidade de vida para todos? O tempo não para. O passado passou e o futuro não chegou. O agora está bem à nossa frente e precisamos estar conscientes dele, full-time. Mãos à obra e até breve.
